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18/05/2007 Adeus minha Vó...Nunca tive jeito com as palavras, principalmente para falar de alguém que me foi especial. Então decidi contar apenas o que sei sobre ela. Ainda criança, com apenas 3 anos de idade, ela perdeu sua mãe. Criada pela tia, enfrentava muitas dificuldades para estudar na ilha do marajó. Segundo ela, tinha que levar o uniforme e o material escolar na cabeça para atravessar um rio. Pessoalmente acho que ela nunca gostou muito de estudar. Cresceu, casou com meu Avô (um acreano de ascendência portuguesa que contrastava com sua pele de morena marajoara) e tiveram muitos filhos, uma "penca" de filhos. Vovô não dormia no ponto e a idade só o tornou cada vez mais perigoso, que o diga as inumeras secretárias que passaram pela casa de minha vô. Dentre muitas reuniões de familia, vários almoços de círio de nazaré e outras festas, dentre discursões com meu avô (coisas como: "Adrião, você come feito um porco"; ou coisas como: "Vê se tú se ajeita Adrião") ou outra pessoa da familia (ou de fora da familia), não havia quem não a amasse no final das contas. Essa era Maria, a mãe, a avó, a bisavó, a louca, a fofoqueira, a matriarca, a rainha, a engenheira civil, a sabe tudo. Viajou tanto pelo Brasil nesse quase um século de vida, que se lhe fosse dado pontos de milhagem, ela podia até pedir uma viagem pro espaço. Muitos apoiariam essa idéia, já que de vez em quando dava vontade de mandá-la para o espaço. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, e Deus ontem cantou "chegou a hora de apagar a velhinha" e deu fim náquela que se intrometeu na vida de todos durante anos. Este é o fim? Creio que não, afinal sobrou todos os filhos, netos e bisnetos para lembrarem o quanto ela era legal sendo aquela pessoa que irritantemente tinha opinião para tudo, até aqueles assuntos que não correspondiam a ela. É vó, você foi demais. Até um dia... |
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